Segunda-feira, 15 de Agosto de 2011
Uma análise à crise portuguesa

Esta análise é isso mesmo, uma análise desprovida de sentimento ou filiação.

Quando o nosso ex primeiro ministro decidiu fazer um braço de ferro de modo a tentar evitar a entrada do FMI em Portugal pareceu-me de imediato uma estratégia mais que uma birra pessoal.

Ele sabia que havia mais países à beira de cairem na mesma situação, e mais poderosos que nós, e se fossemos em pacote talvez não fizessem o que nos fizeram.

Desde logo isto  (parece) é verdade porque estava agendada uma mudança na forma como os países recorreriam ao fundo de resgate sem a necessária intervenção profunda do FMI.

Mas pareceu-me que dois vectores (utilizando uma palavra cara a este ministro das finanças) estavam a fazer pender a balança contra nós: a vontade da direita entrar a todo custo no governo porque o actual PM não teria outra oportunidade, especialmente se Sócrates sobrevivesse, e a vontade da direita europeia de privatizar a europa ao serviço dos patrões e da especulação.

Assim, quando Portugal esperava que a votação acontecesse para mudar as regras de acesso, o governo caiu pela mão do PSD e a votação foi adiada, deixando Portugal na necessidade extrema de apoio externo.

Mas este apoio externo só foi necessário porque durante 6 meses a Europa nos deixou desprotegidos com os juros a crescerem de forma pornográfica. Se não fosse isso, a divida pública não teria crescido da forma que cresceu, a crise profunda não seria tão profunda, e agora estavamos no mesmo pacote da Itália, Espanha e França, protegidos pelas decisões que os protegessem.

Então eu faço aqui a minha previsão que a história confirmará (que não deixa de ser uma arte de adivinhação): se não fosse a família da direita europeia, no interesse do capitalizar de lucros de especuladores e de maximizar a influência das empresas e dos magnatas nas decisões dos países sem serem eleitos, prejudicando os países mais frágeis da UE usurpando os seus recursos naturais, humanos e financeiros, porque estes empréstimos mais não são para pagar juros e no fim ficamos na mesma; o PSD será visto como o principal culpado do estado em que estamos porque mesmo com toda a pompa e pose de estado que PPC procura meter, os seus olhos não mentem pela inexpressividade que têm pois os olhos não seguem as linhas do rosto, no fim vamos continuar ainda pior, com uma divida maior e ainda com menos recursos ou instrumentos de regulação que nos poderiam ajudar a sair da crise porque entretanto tudo foi privatizado em prol dos "amigos".

Primeiro exemplo: BPN ao BIC. Nós pagámos para vender o banco. Só os imóveis do banco valem decerto bem mais que os 40 milhões, diga o presidente executivo português o que quiser. Se eu fizesse um negócio da China não viria apregoar que tinha conseguido isso à custa dos portugueses, viria isso sim fazer o que fez, dizer que é um favor que nos estão a fazer, que são grandes patriotas tirando das mãos do estado aquele sorvedor de dinheiro, e que vai dar muito trabalho recuperar o banco. O banco está recuperado, atentem no que vos digo, e deve dar um trabalho brutal fechar agências, que devem ir ser vendidas e com muito lucro, e despedir trabalhadores que irão ser pagos pelo estado.

Assim é fácil.



publicado por Pedro Santos às 12:59
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Domingo, 14 de Agosto de 2011
Se eu fosse Primeiro Ministro

Não sabemos os números, sabemos o que nos dizem, mas vou procurar enquadrar tudo. Se fosse PM, começava por não alienar o BPN pelo que foi vendido. Só o imobiliário valeria mais que os 40 milhões. Os trabalhadores a serem despedidos, mesmo na totalidade, sendo enquadrados na Seg. Social, seriam amortecidos pelas vendas associadas ao banco.

Começava depois por fugir daquela lógica de pagar bem no público porque senão vão para o privado. Seja! Qualquer cidadão que enverede pela vida pública tem de estar vinculado à mesma por um período de carência de exclusividade para ressarcir “da formação” dada. Aqui falo não só de gestores de empresas públicas, da CGD, secretas, etc, falo de médicos, enfermeiros e professores em exclusividade no sistema público. Quem quer o céu tem de pensar que não baixa para o “inferno” do privado assim de mão beijada.

Procurava restabelecer uma certa auto-suficiência nacional fazendo o levantamento de terrenos em abandono e
fazia uma proposta aos seus proprietários: em tempo de crise e salvação nacional há que produzir em escala. Não perdiam direito ao terreno mas teriam de o por à disposição de quem o quisesse explorar sem que isso lhes trouxesse mais valias. O terreno era sempre valorizado por ser cultivado por isso não perdiam dinheiro (já que antes nenhum ganhavam por estar ao abandono).

As finanças do estado precisam de ser equilibradas. Começava por emagrecer os serviços camarários nos seus
milhares de postos de “confiança” e de contratos para amigos e afins. Começava claro, pelo topo e nunca pela base, porque é no topo que se gasta dinheiro (motoristas, subsídios, ajudas de custo,…).

Não falo de despedir pessoas, como se entende, mas os serviços locais do estado têm de estar ao serviço da
população. Assim, as mesmas pessoas mas distribuídas por maiores períodos de tempo (desde as 7 da manhã às 09 da noite por exemplo). Assim, menos tempo perdido por que precisa de ir aos serviços, menos stress físico e emocional e por conseguinte mais disponibilidade para o trabalho (produtividade).

Menos motoristas de serviço ao mesmo tempo e menos veículos de serviço para cargos públicos. Quem trabalha
deve deslocar-se a suas expensas como é devido aos restantes trabalhadores. Valorização do transporte
público. Criação da obrigatoriedade de utilização do transporte público dentro das localidades, baixando as tarifas. Mas assim aumenta a despesa!

Momentaneamente, porque como há menos veículos particulares, reduzem as importações de petróleo (balança comercial).

Dado o apoio dado aos bancos pelo estado (logo, pelos contribuintes), durante um período de estabilização, as
prestações mensais das casas deveria baixar porque o cidadão é credor dos bancos. As casas não poderiam ser executadas, o cidadão ficava com mais dinheiro para continuar padrões de consumo adequados ao retorno da economia (não falo de luxos).

Às empresas exigiria ética e transparência. Os sinais exteriores de riqueza teriam de ser justificados aquando de problemas nas mesmas, isto é, como justificar ordenados em atraso quando os administradores e gestores viajam em grandes carros, usufruem de grandes mansões e de regalias? Se as têm são fruto do trabalho produzido nas
empresas pelos seus trabalhadores, então devem procurar honrar os seus compromissos sociais com as pessoas que empregam.

Empresa que apresente prejuízos em anos sucessivos é suspeita. Como consegue sobreviver com prejuízo? Empresas com lucros deve repartir pelos trabalhadores, além dos accionistas. Só há lucro porque há pessoas. Quem produz e dá a ganhar deve também participar no produto do seu trabalho.

Discriminação positiva dos cidadãos através de padrões de consumo (não sei se é possível) no reembolso do IRS: quem gasta o que tem em alimentação, transportes, despesas de saúde e escola deveria ser recompensado; quem se verifica fazer viagens e adquirir equipamentos de luxo desnecessários (pc´s topo de gama, carros de alta cilindrada, férias luxuosas, etc) deveria ser penalizado em IRS (estímulo à poupança ou pelo menos de não gastar em bens de 3ª ou 4ª necessidade).

Na Segurança Social não retiraria direitos mas recompensava a procura de trabalho, mesmo fora da área de preferência laboral. Trabalhador que se empregasse durante o período a que tinha direito de desemprego seria recompensado com algum desse desemprego (que voltava a refinanciar através do seu novo trabalho) com uma ajuda monetária. Eu acredito que os trabalhadores, na sua maioria querem trabalhar, mas sentem que têm direitos. Quando lhes retiram esses direitos, esmorecem e perdem motivação. Esta poderia ser uma motivação.

As reformas dadas aos trabalhadores deveriam ser proporcionais até um certo limite. Quem precisa de 5000 euros de reforma para viver quando há pessoas que trabalham com menos de 500 euros por mês com as despesas associadas ao trabalho? Baixando-se o valor pago até um máximo de 2000 euros dava para aumentar as reformas de quem trabalhou e infelizmente teve empregos que pagavam pouco. Mas eles descontaram mais por isso… não, o princípio da solidariedade entre pares (somos todos portugueses) devia ser um pilar absolutamente irredutível e não especulativo.

Quem beneficia de Rendimento Social de Inserção devia ser responsabilizado por ele, isto é, com trabalho obrigatório comunitário (limpeza e protecção de florestas, de praias, de ruas, desmatação, etc.). É trabalho escravo, aquilo que tanto eu me bato contra? Não, estas pessoas, muitas delas, por situações diversas, nunca produziram nada, nunca devolveram nada à sociedade por isso devem através de trabalho pagar o apoio dos restantes cidadãos (são eles que pagam através dos impostos).

Na educação, e ao contrário do que pensam muitos, até podiam ter turmas com 28 a 30 alunos no 1º ciclo, mas em par pedagógico. Mais alunos mas mais possibilidade de feedbacks e sucesso escolar. Isso aumenta a despesa? E quanto custa a iliteracia a longo prazo? Deixava de lado a construção de hipermercados de alunos (centros escolares de larga escala e mega apreupamentos) para apostar nas escolas de proximidade social e cultural. Mais escolas que permitissem uma ligação à comunidade de forma afectiva, próximas das famílias. Procurava que as escolas estivessem abertas mais cedo e até mais tarde (já que não se consegue inverter o ciclo de trabalho dos pais). Para isso apresentavam o horário de trabalho que justificasse a presença dos meninos na escola antes ou depois do horárioescolar. Como já alguém disse, os comportamentos dos alunos deveriam ser alvo de sanções pecuniárias aos progenitores, criando uma ligação entre acto e consequência.

As escolas deveriam ser avaliadas enquanto escolas, não enquanto indivíduos ou agrupamentos. Cada escola retiraria dos seus elementos o que de melhor têm, e todos teriam a mesma nota fruto do trabalho colectivo. Assim haveria partilha e espírito de corpo (de equipa) porque cada era ajudado no que de menos bem sabe fazer contribuindo com o que de melhor sabe fazer. Quem demonstrasse não trabalhar em equipa, não cooperasse, então seria avaliado individualmente, fora do âmbito da nota global, sujeitando-se a ter de fazer tudo sozinho sem ajuda.

Aos pais e encarregados de educação pediria mais envolvimento na educação dos filhos e não no ensino. Educar é uma coisa, ensinar é outra. Àqueles que descuram a educação dos filhos não poderia ser dada a oportunidade de contestar a escola e os seus profissionais, desde professores a assistentes operacionais.

Enquadrava as AEC na escola e nos agrupamentos, fora das garras das autarquias e de empresas quasi agiotas, que exploram muitas vezes os professores. Assim, estas AEC estariam enquadradas em horários decentes, de preferência no final do dia de aulas, e não haveria problemas de colocação de professores já que eles eram do agrupamento.

Na educação nivelava os vencimentos. Todos os professores desempenham o mesmo papel, preenchem os mesmos documentos e participam nas mesmas estruturas. Assim deveriam ter ordenado igual. Como se discriminaria a antiguidade? Através de uma diuturnidade trianual de 50 euros. Ao fim de trinta anos tinham um bónus de 500 euros. Claro que o salário base líquido teria de ser por volta dos 1300 euros. As escolas privadas de carácter público, e financiadas pelos sistema, deveriam ter os seus professores colocados por concurso nacional. Ou fazem parte do sistema ou não fazem parte do sistema, ponto. O seu financiamento deveria ser igual, ponto. Querem ter apoio público, funcionam como o público; querem ser privados financiam-se a si mesmas.

Os professores deveriam ser colocados nas escolas por concurso, mas eu aqui introduzia uma variante: a primeira entrada era por concurso de lista graduada, com os candidatos a optarem por ficar por tempo indeterminado (em qualquer momento – no final do ano lectivo - poderiam pedir para sair, mas ficavam sujeitos ao que explico no ponto seguinte); caso o não quisessem, e pretendessem ser colocados anualmente, escolhiam essa opção sabendo que os lugares nos anos seguintes seriam menores.

Como haveriam menos professores a concurso haveria menos despesa em aplicações informáticas, pessoal técnico e papel.

Mas, e se houvesse professores mais antigos a quererem mudar? As escolhas de uns são as oportunidades de outros; todas as escolhas têm consequências, umas boas outras menos boas e ainda algumas más. O que me beneficia num ano pode estar contra mim nos anos seguintes; independentemente dos imponderáveis, temos de nos habituar a projectar no futuro as nossas escolhas.

A saúde deve manter-se como está, mas organizada de forma diferente. Médicos e enfermeiros formados em universidades públicas devem dar ao estado pelo menos 15 anos da sua vida em exclusividade. Quem não quiser, pague na totalidade a sua formação numa universidade privada. Assim, a distribuição equitativa do serviço estaria no dia inteiro e se calhar pagava-se menos horas extraordinárias. A exclusividade acabava com os médicos a quererem sair mais cedo ou a chegar atrasados de manhã porque estiveram até tarde na clínica ou hospital privado. Acabava assim com a promiscuidade de médicos a atender no sistema público e a encaminhar para o sector privado e quando custa muito fazer no privado (com pouco lucro) a reenviarem para o sistema público.

Em relação à segurança, e salvaguardando as devidas distâncias dos abusos da autoridade, a policia deveria ter mais poder de intervenção e não ser penalizada por fazer cumprir a lei (dentro de certas circunstâncias devidamente enquadradas): um bandido rouba e é perseguido; leva um tiro e morre; não há dúvidas de quem não respeitou a lei e se sujeitou às consequências. Um bandido rouba um carro e é perseguido; não faz paragem à ordem da autoridade e leva um tiro e morre; não há dúvidas de quem não respeitou a lei. Um polícia é apanhado a mentir ou envolvido em actividades menos lícitas, deve receber punições acima da dos bandidos porque um cidadão aplicardor da lei tem responsabilidades acima do cidadão comum. Por se aumentar a sensação de “punidade”, diminui-se o crime e os custos associados ao crime: polícias, prisões, tribunais, juízes, papelada e processos.

Na segurança das florestas eu colocava o exército em operações de treino de Abril a Outubro. Assim, em áreas sensíveis da floresta nacional, onde normalmente o público não vai, estaria patrulhado 24 sobre 24 horas. Seriam emitidos avisos públicos em jornais, rádios e televisões para estas operações de treino e patrulha e que quem fosse encontrado nestas áreas arrisca-se a ser detido ou até alvejado. Ao promover isto, diminui-se os gastos com aeronaves e pessoal contratado especificamente para promover esta segurança quando o exército pode fazer esta missão. Mas assim há choque entre forças de autoridade já que o exército estando no terreno assume a liderança. E depois? A GNR não é uma força militarizada? Neste período é inserida na hierarquia militar (os comandantes da GNR ainda são militares, julgo eu).

Agora entro noutro campo, o equilíbrio político das contas públicas.

Todos os deputados têm um assessor, quanto custa isso?

Todos os deputados têm pc público? Quanto custa isso?

Todos os deputados têm ajudas de custo? Quanto custa isso?

Todos os deputados têm subsídio de residência caso sejam de certas regiões? Quanto custa isso (até os há que mudam o domicílio fiscal para usufruir do subsídio, certo)?

Os altos representantes têm motoristas para si e família, quanto custa isso?

A Assembleia da República tem deputados a mais que não são mais que figuras de decoração. Quanto custam estes deputados todos à nação?

Os deputados deveriam utilizar os transportes públicos para as deslocações de e para o serviço. Se são bons para
o cidadão são bons para estes cidadãos, isto tem de ser claro.

As escolhas do governo deveriam ser conhecidas antes de se eleger o Primeiro Ministro e quanto iriam custar as
politicas que pretendem implementar, quer socialmente quer financeiramente. Somos sempre confrontados com a ideia de que não sabem e depois de eleitos não se pode fazer nada. O escrutínio devia começar antes das eleições através da apresentação dos custos de cada medida e do cabal cumprimento das mesmas. Chega de aceitar que “não sabíamos a dimensão total”, “isto foi uma surpresa”.

Só uma brincadeira. Um dia ouvi uma piada em jeito de realidade que vou contar: um presidente ganhou as eleições e encontrou duas cartas na secretária. Uma tinha escrito por fora tinha escrito: a ler na primeira crise. A segunda tinha escrito a ler na segunda crise. Quando houve a primeira crise, abriu a carta e tinha escrito “culpa o
teu antecessor”. Sucesso total e euforia das massas. Na segunda crise abriu o envelope e leu “escreve agora duas cartas”. O problema é que em Portugal ninguém assume o fracasso das suas opções e passam a vida a lançar areia para os olhos.
Se eu tenho uma situação delicada para resolver foi para isso que fui eleito pelos portugueses, para as resolver melhorando e não piorando a vida das pessoas melhorando a vida de alguns.

Mais haverá para dizer, mas isto ainda não é um programa de governo!

Bem Hajam



publicado por Pedro Santos às 15:26
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Sábado, 13 de Agosto de 2011
O Minsitério da Educação, os Professores e o estado da educação

Anda tudo em alvoroço mas não para mudar o que está mal mas para ver onde está o menos mau das más decisões dos decisores políticos.

Em vez de procurarem encetar mudanças filosóficas e de fundo no pensamento mantém-se tudo amarrado
às questões práticas imediatas sem criar novos paradigmas que não seriam mais que os antigos vinculados ao saber e não à economia.

Fala-se de renovado poder aos Conselhos Pedagógicos e ao Presidente do Conselho Geral, que a meu ver só irá reforçar os novos caciquismos e os novos clientelismos, fruto do tráfico de influências que vêm do exterior da escola.

O Conselho Pedagógico tem elementos que não são representantes dos professores mas que influenciam as decisões, mesmo se pedagógicas e lá não estejam; o Presidente do Conselho Geral pode não ser professor e têm lá assento muitos interesses conflituantes (a começar pelas autarquias).

A Avaliação de Desempenho em vez de ser atacada de vez, através de um exagerar das situações de avaliação, exigindo mais do que o ME quer, porque só assim se faz a falência deste modelo, corre-se ao lado dela procurando desviar a besta do seu caminho. É como tentar mudar a trajectória de um cometa lançando uma pedra com uma fisga. Assim, de pouco em pouco, de ano em ano, devagar e sem muitas mudanças radicais, o ME consegue implementar o que quer sem ser confrontado com mudanças de fundo nas estruturas da escola de modo a acomodar tudo (mais professores, mais horas, mais turmas,...).

O aumento do número de alunos por turma no 1º Ciclo só na cabeça de quem está a olhar para números e ver a CONFAP apoiar a decisão só demonstra que também os pais nada querem saber da qualidade do ensino aos filhos, ao contrário do que tanto apregoam. O que eles querem é, tendo sido apoiantes ferrenhos do anterior governo, e subsidiados por ele, manter os subsídios aliando-se ao novo ME. Deve ser mesmo muito dinheiro para eles fazerem estas cambalhotas e estes mortais de quebrar a espinha, e deve ser muito bom porque assim andam pelo país à custa dos professores e dos contribuintes, aparecendo e tendo protagonismo pessoal e político.

Se não me falha a memória, o senhor titular da pasta dos papás e mamãs foi professor de filosofia e abandonou a profissão, de tão bom deveria ser, mas exige aos outros aquilo que não foi capaz de fazer. Os roedores abandonam o navio antes de todos, e não sei as razões, mas que fica mal na fotografia, fica.

Cortam nos professores contratados e logo começam os próprios contratados a contar lugares e a dizer "isto não está assim tão mal, porque vai haver ainda lugares"... só para os mais bem classificados. Então e os companheiros mal classificados não são professores? Mas vem na onda de uma proposta na Assembleia da República de efectivar SÓ quem tinha mais de 10 anos de serviço. Claro, com o exemplo de quem aparentemente defende os professores desvirtuando o valor dos que têm mais de 3 anos, diz logo como os professores mais antigos tratam os mais modernos.

Esquecem-se todos que se o barco está a afundar rapidamente pelo peso e lançamos borda fora os desprotegidos e mais frágeis, o barco afundará mais lentamente mas não deixará de continuar a afundar. Solução seguinte, lançar mais uns poucos borda fora e assim sucessivamente. Percebem a analogia?

Há um poema de Jim Morrison que reza assim:

 

When the still sea conspires an armor

And her sullen and aborted Currents

breed tiny monsters,

True sailing is dead.

Awkward instant

And the first animal is jettisoned

Legs furiously pumping

Their stiff green gallop,

And heads bob up

Poise

Delicate

Pause

Consent

In mute

nostril agony

Carefully refined

And sealed over.

 

Nós somos os equídeos: primeiro mandam os burros borda fora; depois os cavalos; depois os alazões; depois os procriadores; depois... ninguém... já não há cavalos!

 



publicado por Pedro Santos às 17:05
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Sábado, 13 de Março de 2010
O Excessso de Zelo

Eu acho que a nossa classe enferma de um mal maléfico, ruim, maléfico, perverso, maléfico e pouco sensato!

Então nunca levamos a lei que nos regula às últimas instâncias?

Porque é que não fazemos e regemos a nossa actividade pelo excesso de zelo?

Devemos levar as coisas até uma consequência tal que o excesso de zelo mostre que são necessárias mais pessoas, mais tempo livre para burocracia e... espantem-se... mais ordenado!!!

Para nos exigirem "deveres" consagrados em Lei e ECD põem-se em bicos dos pés... mas para pagar o que  lei manda (horas extraordinárias... e não venham com o "peçam" porque não deveria ser preciso porque  ELES sabem bem qual é a lei das reuniões ordinárias!!), para respeitar horários e regras de elaboração de horários e até de respeito pelas funções a eles atribuidas (membros da direcção que nunca dão as horas que lhes estão definidas já que não estão em exclisividade) já não estão para aí!!!

Em alguns (se não em todos...) até dizem que para cumprir com a supervisão das AEC devemos "arranjar" uma horita fora do horário para o fazer... pois não pode estar no horário... porque seria ilegal... porque já temos as horas não lectivas de estabelecimento ocupadas com Apoio ao Estudo!

Mas porque é que os membros da direcção com não exlclusividade não vão às escolas dar Apoio ao Estudo como previsto? Porque é que os professores de Apoio Educativo (e aqui incluo os tão "sobrecarregados" professores do Ensino Especial) não vão às escolas dar Apoio ao Estudo? Porque é que alguns professores têm a componente não lectiva de estabelecimento em Apoio de Gestão e não em apoio directo às escolas?

Pois é, para exigir o que não é moralmente exigível estão sempre prontos, mas para cumprir como o seu dever e obrigação já é outra coisa...

Até parece que quem foi para a direcção o foi para não trabalhar é só para dizer "faz isto, faz aquilo"... ou que foram para lá como que com um bilhete para a ociosidade... é que ainda não vi ninguém a lutar para voltar para a sala de aula... mas vejo muitos a lutar para ir para a sala da... DIRECÇÃO!!!



publicado por Pedro Santos às 21:00
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Terça-feira, 23 de Fevereiro de 2010
O 5º Congresso Educação

 

Este congresso deixou muito a desejar em termos de qualidade que o tema exigia bem como de qualidade de apresentações.
Foi um chorrilho de apresentações tipo o que acontece nas reuniões intercalares dos Planos de Formação de Língua Portuguesa e Matemática, com alguns professores seleccionados (?) a apresentarem as virtudes do seu trabalho e enaltecendo (endeusando ficaria melhor!) o trabalho magnífico e o caminho libertador que as formadoras lhes propuseram!
Muitos adjectivos foram utilizados pelos professores que expuseram os seus trabalhos, em particular depreciativos de si mesmos, tais como “não sabia fazer”, “não sei”, “ansiosa”, “desesperada”, “tinha insegurança”, “défice”, “receio”, entre outros.
Juro que me fez lembrar os encontros de uma marca de produtos de dietética e de beleza começada por “H” e terminada em “life” e que pelo meio faz lembrar “erva”. Os oradores procuraram demonstrar que antes do Novo Programa de Matemática do Ensino Básico nada existia, o trabalho era inócuo e até impróprio, e que os que trabalham sem ser no NPMEB são incompetentes e que só prejudicam os seus alunos.
Questionada por uma pessoa da plateia, uma das apresentadoras disse “os meus antigos alunos não estão a seguir”, “a professora não dá seguimento”, “os alunos estão ao Deus dará!”, “do que falo com os pais”… mas porque é que ainda fala com os pais se já lá não está?
Também se extrapolaram resultados sem que tenha havido já tempo para que se possam aferir resultados comparativos, como apreciar alunos que estão a dar o antigo programa de matemática e que a par, como um grupo de controlo, findo o ensino básico, se possam comparar resultados desses alunos com os resultados dos alunos do novo programa.
Até já se chegou ao cúmulo de dizer que uma professora na sala ao lado que não lecciona pelo novo programa é uma pobreza (a expressão não foi esta, mas o adjectivo procurou mostrar que a professora é uma incompetente!) comparado com os alunos que seguem o novo programa.
Mas será que as pessoas que procuram enaltecer o seu valor depreciando o valor dos outros não percebem que estão sujeitos ao mesmo destino?
Será que as pessoas não têm experiência suficiente para perceber que por vezes há uma resposta positiva na primeira fase e que depois acontecem plataformas de aprendizagens? E que alunos que antes não demonstravam aparecem com resultados idênticos ou superiores porque maturam em tempos diferentes?
Só findo uma geração, e comparando essa geração com os seus pares que seguiram um caminho diferente é que se pode verificar da validade de um trabalho. E não se podem comparar alunos de gerações diferentes, porque o que era válido antes, as experiências que carregavam consigo eram também diferentes. Por isso é que em qualquer experiência se criam grupos de controlo em tempo igual para que os resultados sejam extrapoláveis.
Para concluir, ouvi uma investigadora e formadora dizer que se o aluno não aprende a culpa é dos professores, assim sem mais, sem contextualizar sem nada. Eu até aceito esta frase, mas tem e deve ser contextualizada em muitas dimensões. Até pode ser verdade, mas não introduz as variáveis “tempo pessoal do professor”, “limitações materiais e humanas” nem a “multiculturalidade e grupos heterogéneos dentro da sala de aula”. Se analisarmos esta necessidade de criar os espaços de aprendizagem com suportes individuais de trabalho em cada turma, somando os tempos de planificação diários, correcções de trabalhos e fichas, reuniões e até “substituições” de professores que se vão embora das AEC e as Câmaras demoram até (!) três meses a substituir, e ainda procurar implementar o mesmo para Língua Portuguesa e Estudo do Meio, e ainda criar espaços para desenvolvimento de Projectos, das TIC, de Estudo Acompanhado, de Formação Cívica, então o dia de aulas deveria ser de 10 horas diários para os alunos, e o professor tinha de pedir ao Deus Chronos para criar uma unidade de tempo especial para o professor que tornasse o dia de 24 em 48 horas, mais um tempinho para também nós sermos pais!
Parece-me que querem que sejamos todos “tias” do sistema, e que abdiquemos da nossa vida pessoal e familiar. Isso, meus senhores e “tias” do sistema, era do tempo do outro senhor, em que até para casar era preciso pedir autorização ao Presidente do Conselho!
Quem quer ser missionário vá para África! Ser professor exige dedicação mas não implica escravidão! Ser professor é uma profissão, com horas estabelecidas de trabalho e momentos em que somos SÓ pessoas simples!
Vou utilizar aqui uma frase que uma pessoa uma vez me disse: “ser professor não é ser mercenário nem missionário!”. Interpretando o que disse, retiro que devemos dar mais do que sair logo que toca mas também não devemos conduzir a nossa existência dentro da escola e dos alunos e esquecermo-nos que somos gente também!
O Congresso foi uma desilusão! Nem um exemplar dos manuais, adaptado aos novos programas, vimos ou recebemos!
P.S. Algumas professoras, na sua imensa sapiência e condução de trabalhos matemáticos (e nenhuma referência das formadoras!), escrevem para meninos do 1º ano de escolaridade e no 1º ciclo como se estivessem a escrever para adultos, sem respeito pelo grafismo manuscrito que é nosso dever fazer!


publicado por Pedro Santos às 16:20
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Domingo, 13 de Setembro de 2009
A dignidade dos Professores

 

Muito se tem falado dos professores e da sua dignidade pessoal e profissional.

 

 

Muito se tem falado dos vencimentos dos professores, uns dizendo que são elevados outros que são baixos em função das despesas.

 

Muito se tem falado do Estatuto da Carreira Docente e da divisão da carreira docente.

 

Muito se tem falado da Prova de Ingresso e da Avaliação de Desempenho Docente.

 

Muito se tem falado de grandes questões que dão parangonas de jornal e dão conversa de café, mas lateralmente a estas existem umas quantas conversas que deveriam ser tidas e que trariam dignidade pessoal a muitos, se não a todos.

 

Estas questões referidas atrás são necessárias para uma justiça profissional, mas as outras são fundamentais para o equilíbrio pessoal e para a dignidade no trabalho.

 

Bato-me por elas até à exaustão, e é necessário que outros o façam e tomem consciência delas.

 

1º Apoio nas deslocações aos professores deslocados através dos transportes públicos, nomeadamente ferroviários e rodoviários. Como? Permitindo aos professores pagar um quarto do bilhete nas suas deslocações em serviço para as localidades de trabalho.

 

2º Apoio no alojamento a professores deslocados a mais de 50 kms da sua residência principal. Claro que teríamos nós, professores, de ajudar a impedir as jogadas de recenseamento noutra localidade e fazer da residência principal a residência secundária.

 

3º Criar alojamentos temporários nas sedes de concelho nos blocos de apartamentos em construção pela “doação” por parte dos construtores à autarquia de apartamentos para alojamentos temporários de funcionários em serviço fora da sua área de residência. De referir que esta medida seria abrangente e poderia aplicar-se aos demais funcionários do estado. Como se processaria? Aquando do licenciamento da obra, e em função do número de andares e apartamentos, haver uma quotização que atribuiria os apartamentos em função do total construído. Claro que aqui não haveria lugar a apoio financeiro no alojamento.

 

4º Dedução do IA (a estudar) na aquisição de carros de serviço comerciais aos professores deslocados. Esta medida, e para evitar a aquisição dos veículos para uso familiar, teria de ser utilizada pelo professor deslocado e nunca por outros. Poderia ser utilizado a qualquer altura mas pelo professor. Assim garantia-se que não havia pessoas a adquirir veículos de trabalho para outros fins.

 

Estas medidas seriam de justiça social e de equilíbrio do sistema já que favoreciam a mobilidade entre serviços e ao mesmo tempo seriam um factor de aceitação tácita de que por vezes se tem de ser móvel.

 

Um trabalhador é mais reticente às deslocações nos serviços do estado porque sabe que isso implica o dobro das despesas e nenhum retorno. Sabendo que o estado estava a fazer um esforço efectivo para, ao mesmo tempo que supria as suas necessidades de serviço, melhorar as condições de vida e de trabalho individuais, seriam os próprios trabalhadores a verem a bondade do estado.

 

Mas isto normalmente não se vê nas grandes demandas dos trabalhadores. Mais qualidade de vida não significa mais ordenado. Mais dinheiro ao fim do mês não significa ganhar mais dinheiro. Mais qualidade de vida é chegar ao fim do mês alegre, contente e com mais dinheiro mesmo ganhando o mesmo porque se criaram condições para isso. Se ganhamos um pouquito mais mas aumentam as despesas individuais, no final ganhamos menos.

 

 

Espero que um dia olhem para as pequenas coisas e as tornem grandes, porque são elas que efectivamente nos dão mais qualidade de vida complementando as grandes medidas.



publicado por Pedro Santos às 14:02
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Quinta-feira, 23 de Julho de 2009
Um partido político à medida!

Já um dia aflorei aqui este tema: um partido dos professores, com agenda própria e diálogos direccionados para os nossos problemas, anseios, desejos e aspirações!

Somos tantos, e mesmo que não houvesse a representatividade que elegesse mais do que um deputado, mesmo que pregássemos aos peixes, Voz silenciada é voz esquecida! Voz falada é voz ouvida!

Com os nossos números, com amigos e aqueles que a nós são simpáticos, poderíamos finalmente gritar alto o que nos fazem, e quiçá, sermos Limianos por algumas vezes!

Mas é mais fácil seguir o que já existe pois assim sempre se pode culpabilizar e responsabilizar outros!

Eu vou fazendo o meu papel "activista" junto dos companheiros que gostava que fossem de luta! A luta não se faz só nas manifestações de rua, faz-se subvertendo o sistema, demonstrando à saciedade que o sistema é corrupto e falível, e que este é carregado nos ombros de homens e mulheres que muito fazem por carolice (de borla), mas se o continuamos  a fazer, nunca nos respeitarão. Não digo que o não devamos fazer, o que digo é que não nos respeitam nessa nossa dedicação. Assim, dê-se a fama a quem supostamente tem o proveito!

Mas o que vejo é comummente se dizer "coitadas das crianças"... coitados é de nós que no fim tornamos coitadas das crianças! Que exemplos damos nós aos futuros adultos se lhes dizemos que não se deve lutar pelos nossos direitos, que devemos abdicar de tudo por eles?... Assim, eles (as crianças) nunca crescem porque lhes dá jeito serem sempre crianças mimadas, tirânicas, déspotas e mal educadas!

Más crianças serão maus pais, e isso só trará ainda mais desprestígio aos professores!

É hora de dar corpo à nossa voz!

Eu sózinho nada posso, nem tenho conhecimentos ou experiência suficientes para iniciar a luta individualmente, mas existem por certo "mecenas" a quem a educação dos infantes diz muito, e a quem o rumo que isto leva conduz à destruição de um país com 800 anos de história!

 



publicado por Pedro Santos às 12:32
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Quinta-feira, 14 de Maio de 2009
Avaliação por parte dos Pais/Encarregados de Educação

Esta avaliação facultativa por parte dos Pais/Encarregados de Educação levou-me a defender fervorosamente uma vez mais que não deveria ser sequer cogitada. No entanto, outros colegas assim o entendem.

Eu, alinhando no princípio de que até consigo ver alguma bondade neste formato (embora não o pretenda ou sequer requeira), dei por mim a pensar em parâmetros sobre os quais os ditos se pudessem debruçar de forma que nunca em forma ou tempo algum opinassem sobre algo que tivesse a ver com actividade pedagógica.

O porquê desta minha reflexão recaiu em alguns pressupostos que me "assustaram" na facilidade com que alguns lançam a sua actividade aos lobos.

1º - Assiduidade - se já somos avaliados nesse item pelo Executivo, porquê e com que alcance se dá essa possibilidade?

2º - Pontualidade - Então, pelo mesmo principio anterior, como saberem se estamos atrasados ou fora de horas por motivos correctos? Ou sequer se 10 minutos num ou outro dia compensam sequer algumas horas (ou semanas) que se dão de pós-laboral à escola?

3º - Clareza na apresentação do trabalho - Então se se explica uma e outra vez, com a clareza que a nossa profissão permite, e alguém não entende, devemos permitir que esse alguém venha dizer que não explicámos convenientemente?

4º - Disponibilidade para atendimento aos pais - Então devemos estar sempre disponíveis para tal, e permitir que o entendimento individual de disponibilidade possa ser factor? Então se alguém achar que só pode vir à escola à noite, temos de estar lá? È que se não estivermos, já não estamos "disponíveis"...

5º - Relação com os alunos - Então se um aluno não gostar de nós porque não aceitamos as suas birras, mimadices, falta de educação, e vai para casa dizer que o professor é isto e aquilo, podemos estar à mercê dessa situação de sermos "mal avaliados" e chantageados?

Depois desta reflexão... e de um verdadeiro amargo de boca com uma colega... coloco aqui aquilo que tinha encontrado que não reflecte a actividade docente pedagógica, nem que de alguma forma já foram avaliados pelo Executivo:

1º - O professor atende os Pais/Encarregados de Educação durante o período estabelecido para o efeito? Sim   Não

2º - O professor disponibiliza as informações referentes o seu educando quando são pedidads? Sim Não

3º - O professor entrega os registos de avaliação de acordo com o Regulamento Interno? Sim Não

4º - O professor procura falar (reparem no "procura") de forma a ser percebido? Sim Não

5º - O professor está atento às situações individuais do seu educando? Sim Não

A partir desta base, os Pais/Encarregados de Educação participavam da avaliação, ajudavam a ter uma imagem do professor junto do Executivo em itens de díficil vislumbre, responsabilizava os pais para o conhecimento específico do Regulamento Interno em todas as vertentes.

O ME dá-nos a pá; nós, sem que nos seja dito "Cavem!", começamos a cavar porque a pá serve para cavar; depois do buraco feito, já de lá não se pode sair porque fomos nós mesmo que o cavámos, então como podemos criticar o que criámos?

Assim vai o Portugal Eduquês chegado ao burgo professoral!

 



publicado por Pedro Santos às 17:33
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Segunda-feira, 27 de Abril de 2009
Avaliação de Desempenho

Já fui observado a 1ª vez!

procurei fazer exactamente o mesmo que faço nas outras aulas e nos outros dias com uma pequena/enorme excepção: a planificação diária!

Isto de planificar para múltiplos anos de escolaridade diariamente só quem nunca deu aulas é que pode sequer cogitar uma coisa destas!

Então isto é viável: duas horas para planificar 45 minutos de aula!!!! Então e as outras quatro horas no meu caso (1º ciclo)? Nem lembra ao Diabo... bem, talvez lembre... Mas isso são outros quinhentos!

Se ainda me arvorar a criar suportes pedagógicos diversificados de acordo com as dificuldades individuais e Necessidades Educativas Especiais então chego à conclusão que não posso sequer dormir e ainda assim fico em dívida ao dia porque 24 horas não são suficientes!

Mas eu, caso chegue ao patamar de Muito Bom que me permitirá artificialmente subir um valor na graduação profissional, e como o meu propósito ao propor-me à avaliação de desempenho não é passar à frente de ninguém mas antes prevenir que outros passem à minha frente sem que pelo menos dê alguma luta, troco essa classificação por uma justa posição gradual se todos assumirem que ninguém, repito, ninguém beneficie desta aberração burocrático/pedagógica que nivela mal aquilo que é impossível de nivelar. Professores diferentes, turmas diferentes, contextos sócio-económicos diferentes e alunos diferenciados que não robots não leva a uma equidade na avaliação. Antes pelo contrário, leva a um desiquilibrar objectivo em função de factores subjectivos arbitrários que podem ser tantos quantos os quisermos imaginar... eu consigo... e vocês, não conseguem?



publicado por Pedro Santos às 18:50
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Segunda-feira, 23 de Fevereiro de 2009
Soluções para a produtividade e segurança rodoviária

Andamos todos às voltas com a segurança rodoviária, com a falta de produtividade e outros, e as soluções tão à nossa frente (deles, subentenda-se, que é para isso que lá estão... os políticos... ou talvez não!...)...

 

Solução 1 - fazer divergir o tráfego de pesados para as auto-estradas, libertando as estradas nacionais dos veículos que pela sua dificuldade de movimentação, reduzem os tempos de circulação de todos. Pesados a circular a velocidades estáveis, provavelmente consomem menos, demoram menos tempo a chegar ao destino, e isso reflectir-se-á no preço final dos produtos. Essa mudança seria com custos reduzidos, pois o prejuizo voltaria em forma de produtos mais baratos e menos consumo de combustível.

 

Solução 2 - Projectar as estradas e auto-estradas utilizando o factor de projecção futura de tráfego, sendo de raiz mais largas, e com mais faixas de rodagem, reduzindo os custos com infraestruturas (sai mais barato do que meia dúzia de anos depois alargar ou construir mais faixas pois tem de se deslocar outra vez recursos humanos e materiais, sem falar nos custos de concurso e projectos!).

 

Solução 3 - utilizar as antenas de retransmissão que estão espalhadas pelo país e utilizá-las para controlo de velocidade e não controlar dados pessoais. Os carros teriam um chip electrónico associado à gestão do motor inviolável, que em cada zona e de acordo com a velocidade, reduziria o fluxo de combustível e de rotação dos motores, impedindo o excesso de velocidade.

 

Claro que isto trará "prejuízos para alguns, especialmente os dos empreiteiros de obras públicas e que vivem destes expedientes, mas o que importa é o país e o nosso dinheiro.

 

A polícia serviria assim para protecção e não para caça à multa tipo os bandidos "emboscados", gastar-se-ia menos em radares e acidentes, as estradas durariam mais porque haveria menos desgaste, e os cidadãos poupavam mais porque não pagavam multas e redireccionavam o dinheiro para a economia real.

 

Solução 4 - Fazer com que todos quantos dependessem do estado utilizassem o transporte público de forma gratuita (eles já circulam quer eles lá estejam ou não!). Professores e demais, caso houvesse transporte público, deveriam ser obrigados, no desempenho das suas funções, a utilizar estes meios de transporte, quisessem ou não. Assim, pela diminuição das despesas pessoais, haveria mais dinheiro na economia real, diminuir-se-ia a poluição associada ao elevado número de carros, diminuia-se a densidade de tráfego que aumenta os tempos de viagem e de stress, poupava-se em combustíveis, tão vitais e caros ao país, melhorava-se a qualidade de vida de todos e a alegria colectiva porque se utilizava aquilo que já todos pagamos com os nossos impostos (sim, acreditem que as empresas de transportes públicos privadas ou não, recebem subsídios caso não consigam ter lucros!). 

 

Fala-se tanto de falta de ideias... comentem estas, então!



publicado por Pedro Santos às 16:19
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