Sábado, 3 de Novembro de 2007

O fim dos dias?!

Os portugueses são todos iguais, mas uns são mais iguais que outros. Isto para dizer que nem todos têm as mesmas oportunidades mas pagam como se as tivessem.

Falo das pessoas dos locais onde se fecham maternidades, centros de saúde e escolas.

As pessoas destes locais, por motivos de contenção financeira, vêem ser-lhes cerceados certos direitos fundamentais inerentes à sua condição de contribuintes. Isto é, pagam os seus impostos mas só usufruem parcialmente desses serviços.

Então seria de todo justo que a sua carga fiscal reflectisse essa diminuição de direitos e garantias, porque têm de se deslocar a expensas próprias para obter o que o estado, e por dever, lhe deveria dar, através de uma baixa dos impostos.

O que se assiste é que quem tem os serviços à porta de casa paga o mesmo de quem tem os serviços a 50 ou mais quilómetros só porque tem uma auto-estrada que o serve. Mas mesmo assim, terá de pagar as portagens!

Observe-se o seguinte: situação 1) um cidadão mora ao lado do centro de saúde; está doente vai lá; custo = 0 euros; situação dois) outro cidadão mora afastado do centro de saúde; tem de se deslocar de carro ou táxi; tem de pagar portagens; o tempo total é muito superior; gasto = muitos euros. Será justo? Não, não é! É muito, mas muito injusto!

Este exercício aplica-se às escolas igualmente.

Cidadãos de Portugal, exijam que a carga fiscal seja adaptada às circunstâncias reais e aos serviços que lhe são prestados! Quem não tem escolas, centros de saúde e maternidades perto de casa deve pagar menos, pois não estão beneficiados em muitos pontos, desde a comodidade, conforto e EUROS em relação a quem tem estas valências “à mão”!

Cidadãos de Portugal, acabem com esta hipocrisia que afasta e degreda os cidadãos menos abastados para a miséria e o isolacionismo (viver na cidade não é para pobre, ou então vive em barracas ou sobre endividado)!

Cidadãos de Portugal, porque hão-de pagar as empresas menos impostos e terem regalias se se fixarem no interior e os cidadãos, que fazem esse interior, paguem o mesmo e já lá estão? E não falo da proposta de serem os municípios a fixarem a baixa dos impostos, pois assim, e em caso de dificuldades, mantém-nos altos. Falo de justiça social e de medidas emanadas dos centros de decisão nacionais.

Será que alguém acha que o cidadão do interior tem as mesmas condições de vida do que um do litoral? Não acho, mas pagam o mesmo como se tivessem.

A política educativa favorece quem vive nos centros populacionais, pois o seu filho, aquele da periferia, vai ter de se levantar mais cedo, comer mais cedo, chegar mais cansado à escola, chegar mais tarde a casa e assim sucessivamente. Terá ele o mesmo desempenho que o filho do outro? Terá ele mais sucesso? Poderá ele aspirar a usufruir das mesmas condições psicológicas para enfrentar o trabalho escolar que lhe é proposto?

Muitos argumentos são levantados como “melhores condições, melhores equipamentos, mais qualidade, …”, mas tudo isso se pode obter se, em vez de favorecer quem já tudo tem, se dê a quem nada tem hoje, como escolas degradadas e sem intervenção há anos, sem aquecimento para o Inverno, sem espaços para os intervalos quando chove, com bibliotecas que são não mais que um monte de livros, sem computadores adequados, enfim, sem nada. “Por isso mesmo é que se devem deslocar para o fabuloso centro educativo que criamos na cidade”, responderão. Mas isso é uma falácia, pois se se quer justificar uma medida, nada melhor que deixar cair, por falta de intervenção, outras estruturas que já existem. É fácil justificar o fecho de uma escola porque tem poucos alunos, mas o que é preciso é analisar o porque de ter poucos alunos e não, pura e simplesmente, votar ao esquecimento um local ou uma região pelo afastamento do seu bem mais precioso, as crianças.

Claro que a culpa do que se passa hoje, e que “justifica” algumas medidas, é dos mesmos que se arvoram detentores da solução, pois foram eles que tiveram e dinamizaram a política de desertificação humana do interior e das zonas limites dos grandes centro populacionais.

Mas nós, qual carneirinhos a caminho do matadouro, aceitamos e deixamos que dêem mais uns quantos passos atrás no desenvolvimento do país. Acham que, com as medidas que estão a tomar, os meninos verão a escola como uma mais valia ou como aquele lugar onde eles passam o dia inteiro e que, mal possam, abandonam?

Sabem que, até aí, os meninos mais “beneficiados” podem sair mais cedo (as Actividades de Enriquecimento Curricular não são de carácter obrigatório), ir para a natação, ginástica, futebol, casa, enquanto os outros, os desterrados, têm de esperar “pacientemente” na escola até ao fim.

Pois é, o que pergunto é: querem fazer regredir o nível cultural à custa de uma mentira veiculada através de palavras como “progresso”, “cultura”, “acesso diversificado”, e outras?


publicado por Pedro Santos às 16:24
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