Quarta-feira, 2 de Janeiro de 2008

Tectónica de placas, religião e o nosso destino

O País está a caminho do seu abismo, submergindo em abdução por baixo da placa continental que é a União Europeia, e emergindo do lado oposto como uma nova matéria disforme e completamente subjugada aos senhores do sistema.

Basta olhar para o que estão continuamente a fazer à saúde e educação para ver que os avanços alcançados por força da "mudança" política acontecida estão a ser desbaratados dizendo “que veremos os benefícios mais tarde”. E se não virmos, voltaremos ao princípio, ao momento zero antes destas mudanças? Não me parece, legitimando governos futuros quando disserem que nada podem fazer.

Os portugueses são seres de segunda aos olhos de alguns senhores do sistema. Basta observar a presente lei do tabaco. É correcta, mas desprovida de um plano geral que a consubstancie e dê os mesmos direitos a todos.

Concordo com ela, mas o âmbito do seu alcance deveria ser a proibição total, e até a ilegalização da possibilidade de fumar, pois assim diz-se que é legal mas limita-se o direito ao seu usufruto enquanto substância legal.

Será que qualquer dia colocarão por decreto que é proibido circular de automóvel nos nossos tempos livres, ou que só se pode andar de automóvel em certas áreas, tendo de andar de empurrão até lá, para não prejudicar quem não anda de carro?

Não, não o farão porque a maior parte do que se paga vai para o estado, quer do tabaco quer do combustível. Ilegalizar é perder receitas, mas se estão assim tão preocupados com a saúde, eliminem os factores que causam essa ausência de saúde, de forma radical!

Hoje, o consumo de cigarros irá ser um privilégio ao alcance de poucos, dos mais abastados, aos preços que estão a ser praticados. Porque é que só alguns podem usufruir desse direito (e não digam que todos podem tê-lo, pois sem dinheiro não se pode comprar, mesmo sendo legal!)? Pois, quem faz as leis pode continuar a fumar pois recebe bem, e se calhar até tem “subsídio” para comprar cigarros pagos com os meus impostos, aquele a quem foi “proibido” fumar!

O que tem tudo isto a ver com a educação e o ensino? Nada, mas revela bem as ideias por detrás dos conselhos municipais de educação, das actividades de enriquecimento curricular, da força dada às associações de pais, do desinvestimento educativo e posterior comparação com o sector privado, da desresponsabilização de quem deve educar culpando sempre o outro (os professores), da não necessidade de assiduidade, do facilitismo, do despotismo que se vê cada vez mais nos órgãos directivos escolares ao abrigo da suposta autonomia, do não respeito pela família e pelo tempo de trabalho semanal adequado e justo, da não possibilidade de enriquecimento pessoal e académico nas áreas que bem entendermos (que é isso mesmo que quer dizer pessoal!...), nas pressões para o “sucesso escolar” à força, na avaliação baseada no sucesso escolar dos alunos, no relacionamento com os alunos, pais e encarregados de educação (isto é, trabalho de borla – explicações para o sucesso – ser surdo, mudo e cego, e estar disponível 48 horas por dia, respectivamente!).

O Futuro a Deus diz respeito, mas parece que chegou a hora de mais alguém carregar uma cruz imposta por um tirano terreno, só que este alguém é colectivo, somos todos nós, e a cruz são os políticos de todos os quadrantes que não conseguiram até agora resolver os nossos problemas e na sua ignorância pensam que agora o vão conseguir.

Perdoai-lhes, Senhor, que não sabem o que fazem, mas já estamos fartos de dar a outra face, pois já estão ambas esfaceladas. Iluminai o caminho e enviai um Messias que nos oriente e abra as águas à nossa frente, para que depois os nossos opressores sejam engolidos na sua própria fúria destrutiva, para depois sermos conduzidos à terra realmente prometida de pastos verdes e de justiça social.

Para quando o dilúvio?!...

 


publicado por Pedro Santos às 00:46
link do post | comentar | favorito
|
1 comentário:
De ESR a 2 de Janeiro de 2008 às 12:46
Olá colega. Antes demais um bom início de ano, pois o ano na sua totalidade a ver vamos como será. Infelizmente tens razão em tudo o que escreveste. A mim dá-me a ideia de que os tempos que se avizinham não vão ser nada fáceis, além disso vai ser muito difícil dar uma volta à nossa classe e à nossa situação actual. Muito por nossa própria culpa porque aceitamos as regras e acomodamo-nos a elas mesmo contra a nossa vontade, pois o receio de ser penalizado é mais forte. Lembro-me de uma colega não ter metido o art.º 102 para o dia 2 de Novembro porque alguém lhe disse no sindicato que se metesse um 102 que fosse não teria uma boa classificação quando fosse avaliada. Ela acabou por ir trabalhar de manhã e de tarde arranjou uma consulta. Só por aqui se vê o medo e o receio das consequências das medidas que foram tomadas no sector da educação. Porquê a Educação? Porque é onde o governo pode manipular, e com a maioria no parlamento melhor ainda. O problema é que a imagem que transmitem para a população não corresponde à verdade e nós sabemos disso na perfeição. Mas o que fazer???!!!! Aceitar ou barafustar?? Nos vivemos num país do faz-de-conta... Quanto ao dilúvio duvido que seja nos tempos próximos.


Opinar

.Mais sobre mim


. Ver perfil

. Adicionar como amigo

. 1 seguidor

.Visitas bemvindas

.Setembro 2013

Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab

1
2
3
4
5
6
7

8
9
10
11
12
13
14

15
16
18
19
20
21

22
23
24
25
26
27
28

29
30


.Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

.O que escrevo

. O ataque ao direito ao tr...

. E o decreto-lei 132/2012,...

. Mutualização da dívida do...

. Um pensamento sobre o sub...

. A crise e a poupança

. Uma análise à crise portu...

. Se eu fosse Primeiro Mini...

. O Minsitério da Educação,...

. O Excessso de Zelo

. O 5º Congresso Educação

.Portas para outras dimensões

.Quem me liga

Web Pages referring to this page
Link to this page and get a link back!

.Procure(a)

 

.Portas para outras dimensões

SAPO Blogs

.subscrever feeds