Segunda-feira, 18 de Fevereiro de 2008

Mais um exemplo do nosso avanço às arrecuas!

Dei de caras com um tópico que referia um estudo levado a cabo no Reino Unido (Clackmannanshire) sobre métodos de ensino da leitura e da escrita.

 

No Reino Unido questionam quaisquer outros métodos até agora utilizados para, legalmente e por decreto, se passar a ensinar só pelo método sintético (partir do fonema/grafema para a sílaba e depois para a palavra).

 

Porque é que decidiram desta forma? Porque verificaram que as crianças ensinadas pelos restantes métodos (parto deste pressuposto pelo exposto acima) apresentavam atrasos significativos relativamente àquilo que poderiam saber (ao nível da leitura).

 

Mais uma vez somos ultrapassados pela nossa própria pequenez e mania de grandeza. Um socialismo exacerbado (que vê democracia até para os meninos de 6 anos que devem participar activamente no seu próprio processo de ensino/aprendizagem indicando aquilo que deve aprender, quando deve aprender e como deve aprender!) descaracterizou completamente certos princípios.

 

Como se compreende quando ainda não se domina o que nos rodeia? Como se percebe quando não se consegue ser autónomo?

 

Contradições? Talvez…

 

Mas é esse o pressuposto que está em cima da mesa. O menino não percebe, só pode prosseguir quando o fizer. Se o não fizer, a culpa é do professor que não encontrou a estratégia “ideal” para que ele aprendesse!

 

A primeira etapa do processo de apreensão deveria ser sempre a memorização, e se acompanhada de compreensão tanto melhor. Mas se chega à idade de poder compreender e ainda não sabe ler e escrever adequadamente, como pode então perceber?

 

Depois há outra forma de socialismo exacerbado que ninguém consegue desmontar, que é a atribuição aos pais e encarregados de educação o poder último de decidir o que é melhor para os seus filhos. Estes devem ser chamados a participar mas não a ser os últimos a decidir, independentemente do que daí advirá para o futuro do seu educando.

 

Como deixar a qualquer um a decisão sobre o futuro de um menino ou menina, quando um professor (sim, à partida aquele que melhor pode avaliar e atestar sobre a capacidade de cada um!) diz que não e o encarregado de educação diz sim, ou vice-versa?

 

E quando o professor quer reter o menino ou fazer um plano de recuperação, como deixar nas mãos do encarregado de educação o machado que dirá se sim ou se não, mesmo que seja preciso?

 

Depois, e demagogicamente, culpam os professores do insucesso escolar e da baixa literacia dos nossos alunos do secundário e universitário, que em compita directa com os restantes parceiros europeus são relegados para segundo plano.

 

Falarão dos países nórdicos, realidade que eu não conheço, mas a avaliar pelo que é dito e comparado, até um leigo percebe que os nossos governantes também não!

Pode-se lá comparar países que têm uma história milenar díspar da nossa, com hábitos de cidadania diferentes (reparem que não digo melhores!), e com princípios de desenvolvimento e de solidariedade distintos da realidade sulista europeia?

 

Parece-me que não, mas num saco tudo cabe, desde que este seja grande o suficiente!...

 

O sistema educativo português está moribundo, e qualquer acto que se realize é meramente paliativo. A única solução é rejuvenescer o dito, acabar com certas anarquias reinantes (associações de pais prepotentes, presidentes das mesmas ex-professores que julgam os outros pela sua bitola de incompetência, políticos demagogos e populistas que aproveitando-se da fragilidade do pensamento popular vigente pós-revolucionário (a ideia de que a revolução devolveu ao povo a capacidade de mandar em si mesmos já morreu! e o único lugar onde cada um ainda pode exercer o seu direito revolucionário é na escola, logo exercem-no de forma desadequada querendo ao mesmo tempo bater em outras personagens…), alunos cada vez mais votados à preguiça e ao mínimo esforço, e finalmente a derrota assumida perante a ideia de que mais vale ter sucesso sem saber, do que insucesso que conduza às aprendizagens necessárias, e concomitantemente ao sucesso pelo esforço e empenho.

 

Pode-se lá dar autonomia às escolas para que estas possam desenvolver projectos autónomos que conduzam a lado nenhum? E quando a lado nenhum chegarem, quem é culpado? Quem responde perante as questões dos meninos que estão nessa paragem e que viram o tempo passar?

 

Nessa altura dir-se-á: o sistema falhou, há que mudar!

 

Mas isto não pode funcionar assim, ao sabor de vontades momentâneas e ao sabor do vento. A educação é o futuro de um país e das suas gentes! Sem ela, mergulha-se num marasmo que conduzirá a um seguidismo de quem pouco sabe, aplicando-se o dizer “em terra de cegos quem tem um olho é rei!”.

 

Espero que esta anarquia que reina na educação em Portugal termine rapidamente. Espero que se retomem certas práticas que restituam ao professor e à escola a sua autoridade, o seu respeito e a sua disciplina. Espero que se desmistifique rapidamente a ideia de que a escola se centra no aluno e reassuma o seu centro natural, o ensino. Espero que finalmente alguém seja capaz de dizer que os alunos existem porque existem professores para os ensinar, que existe quem detenha os conhecimentos e competências para tal e que existe quem QUEIRA APRENDER! Que é o que menos grassa por aí…

 

Pois, enquanto os alunos sentirem que são eles o centro, que são eles que determinam as políticas, eles próprios, destituídos (ainda) de uma responsabilidade futura sobre os seus actos, irão tomar e querer medidas desajustadas para o seu próprio futuro e sucesso.

 

A César o que é de César, aos Professores o que é dos Professores, à Escola o seu papel escolar, ao Aluno o seu dever de Aprender. Aprender não pode estar acima do Ensinar, Ensinar subordina quem quer aprender, e nem sempre Aprender significa GOSTAR!

 


publicado por Pedro Santos às 16:12
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