Sábado, 27 de Setembro de 2008

Apreciação do ensino em Portugal e o seu futuro

            Ora vejamos… por onde começar?...

São tantas as portas, que nem sei se me mexo, ou se valerá a pena mexer, já que basta esticar o braço!
 
Nas escolas anda o frenesim da avaliação. Já o disse, e reafirmo, sou contra toda a avaliação que introduza o carácter subjectivo humano, e que por conseguinte atribuirá classificações diferentes ao que supostamente será igual. Então com a possibilidade de atribuir valores extra ao resultado dessa avaliação, é o fim, e o início da “cunha” descabelada!
Surpreendidos pela afirmação? Não fiquem!
É simplex, basta olhar e ver. Um está em pé de igualdade com outro; não é primo, enteado ou afilhado; dá-se um bom ao respectivo e o regular ao outro; um ganha 3 valores de bonificação e o outro 1; resultado: melhor posicionamento!
Na melhor das hipóteses terá a mesma classificação, mas o trabalho terá de ser tal para não restarem dúvidas quanto ao valor do mesmo, enquanto o outro… enfim, tirem as próprias conclusões.
Num qualquer país civilizado e ordenado…
 
A autonomia das escolas é outro pântano!
Então podemos nós, num país de 800 km de comprimento por 400 de largura dar-nos ao luxo de “assumir” que em tão curto espaço existem diferenças significativas entre as pessoas?! Se as há, são artificiais, independentemente de dizerem o que quiserem!
Mas podemos nós permitir que uma qualquer escola ou comunidade definir o atraso dos seus educandos e alunos só porque tiveram um brilhantismo verborreico cerebral e decidiram experimentar? E quem se responsabiliza por esses actos? Eles que os tiveram? Não me parece, porque quem é irresponsável para os cometer, também o é para os assumir em pleno!
Mas os nossos meninos e meninas não deverão todos ser dotados de competências e aprendizagens (reparem que falo das duas e não de ambas em separado, que parece ser o paradigma actual, só competências!) que lhes permitam, isso sim, a diferenciação na especialização adulta? Poderemos nós limitar o acesso a algo só porque se limitou o acesso a uma determinada área curricular ou artística porque decidiram “apostar” (vejam bem a palavra que uso, porque é isso que fazem, jogam com o destino dos outros, e se perderem, quem perde é quem viu a sua vida “apostada”!) em determinada área?
As expressões ajudam a construir o cidadão nas suas múltiplas vertentes, desde a forma como vêem e expressam o mundo através da representação gráfica, motora ou musical, e nós permitimos que possam limitar o número de horas em detrimento de outra só porque se acha que é melhor esta ou aquela? Enfim!
 
As autarquias e a educação
Que lodo!
Então nem conseguem gerir as AEC convenientemente, não conseguem ter verbas (não digam que depois têm!) para manter as estruturas a funcionar (há escolas que estão meses com torneiras a correr e a desperdiçar água, e nada é feito!), para manter a rede viária asfaltada, para dotar as escolas do mais básico dos materiais (vide noticia sobre a escola em Olhão, em que é pedido aos pais para contribuírem com mais impostos indirectos – donativos!), vão conseguir gerir os professores?
Claro que há os déspotas que entram para as câmaras municipais e acham que são eles que devem mandar (digo bem, mandar!) nas escolas e nos professores, e como tal, aplaudem estas decisões que a médio prazo descaracteriza, desdignifica e destrói o pouco de bom que ainda resta no sistema de ensino português (uso ensino e não educação, essa deve ser utilizada para os pais!), que são os professores e os alunos.
Quiçá, muitos são assim por ressabiamento por não conseguirem entrar numa escola, ou a terem entrado, terem observado manifesta inadequação para o ensino, e assim, tornam-se burocratas bufos do sistema!
Quando se passar para as câmaras (Meu Deus!), ninguém mais terá o exercício da sua função dignificado, a justa retribuição monetária desaparecerá, e qualquer trabalhador não qualificado ganhará mais do que um professor (vejam o que aconteceu/acontece nas AEC, salas de estudo e afins!), pois esta nossa classe está desprovida de ética ou qualquer coluna vertebral!
 
Mas sabem o que chateia mesmo?! É os professores darem o flanco, aceitarem tudo passivamente, e até criticarem quem pretende mexer com o status quo instituído, mesmo que esse seja “errado” e manifestamente incoerente. E ver professores a trabalhar ainda antes da saída das disposições legais, é ver professores a procurar ganhar vantagem sobre os restantes de qualquer forma, é ver professores a tornarem-se seres rastejantes porque “se precisa”. Não há maior atrofio da alma que viver sobrevivendo!
 
Devemos analisar o que se passa e deixar interagir intersectando o pensamento onde ele é possível, e deixar “a água e o azeite” assumirem as suas posições relativas!
O bom senso deve intersectar com a ciência, deve-se deixar a ciência assumir a sua relevância, mas permitir à arte a sua expressão.
Quero eu dizer, existem mecanismos que podem conduzir ao sucesso, mas por vezes a arte permite descobrir caminhos tão profícuos como a ciência, mas de acordo com as especificidades de cada um.
O que se deve fazer é “julgar” cada um pelo seu sucesso, e não pela burocracia que produz. De que vale ter toda a burocracia ordenada se os meninos não aprendem? De que vale ter registos e obrigar a registar os meninos, se no fim não aprendem ou denotam dificuldades? Porque não permitir ao professor aplicar a sua metodologia e ser julgado pelo produto final?
Um exemplo para terminar: já geri instalações; um professor de natação era pouco ortodoxo na forma como dava aulas; eu não concordava com o seu método; os alunos adoravam, aprendiam e os pais estavam contentes; deveria eu limitar a sua acção só porque achava que devia ser de forma diferente e enterrá-lo em burocracia?
 
Façam a vossa apreciação…

publicado por Pedro Santos às 12:32
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