Domingo, 13 de Setembro de 2009

A dignidade dos Professores

 

Muito se tem falado dos professores e da sua dignidade pessoal e profissional.

 

 

Muito se tem falado dos vencimentos dos professores, uns dizendo que são elevados outros que são baixos em função das despesas.

 

Muito se tem falado do Estatuto da Carreira Docente e da divisão da carreira docente.

 

Muito se tem falado da Prova de Ingresso e da Avaliação de Desempenho Docente.

 

Muito se tem falado de grandes questões que dão parangonas de jornal e dão conversa de café, mas lateralmente a estas existem umas quantas conversas que deveriam ser tidas e que trariam dignidade pessoal a muitos, se não a todos.

 

Estas questões referidas atrás são necessárias para uma justiça profissional, mas as outras são fundamentais para o equilíbrio pessoal e para a dignidade no trabalho.

 

Bato-me por elas até à exaustão, e é necessário que outros o façam e tomem consciência delas.

 

1º Apoio nas deslocações aos professores deslocados através dos transportes públicos, nomeadamente ferroviários e rodoviários. Como? Permitindo aos professores pagar um quarto do bilhete nas suas deslocações em serviço para as localidades de trabalho.

 

2º Apoio no alojamento a professores deslocados a mais de 50 kms da sua residência principal. Claro que teríamos nós, professores, de ajudar a impedir as jogadas de recenseamento noutra localidade e fazer da residência principal a residência secundária.

 

3º Criar alojamentos temporários nas sedes de concelho nos blocos de apartamentos em construção pela “doação” por parte dos construtores à autarquia de apartamentos para alojamentos temporários de funcionários em serviço fora da sua área de residência. De referir que esta medida seria abrangente e poderia aplicar-se aos demais funcionários do estado. Como se processaria? Aquando do licenciamento da obra, e em função do número de andares e apartamentos, haver uma quotização que atribuiria os apartamentos em função do total construído. Claro que aqui não haveria lugar a apoio financeiro no alojamento.

 

4º Dedução do IA (a estudar) na aquisição de carros de serviço comerciais aos professores deslocados. Esta medida, e para evitar a aquisição dos veículos para uso familiar, teria de ser utilizada pelo professor deslocado e nunca por outros. Poderia ser utilizado a qualquer altura mas pelo professor. Assim garantia-se que não havia pessoas a adquirir veículos de trabalho para outros fins.

 

Estas medidas seriam de justiça social e de equilíbrio do sistema já que favoreciam a mobilidade entre serviços e ao mesmo tempo seriam um factor de aceitação tácita de que por vezes se tem de ser móvel.

 

Um trabalhador é mais reticente às deslocações nos serviços do estado porque sabe que isso implica o dobro das despesas e nenhum retorno. Sabendo que o estado estava a fazer um esforço efectivo para, ao mesmo tempo que supria as suas necessidades de serviço, melhorar as condições de vida e de trabalho individuais, seriam os próprios trabalhadores a verem a bondade do estado.

 

Mas isto normalmente não se vê nas grandes demandas dos trabalhadores. Mais qualidade de vida não significa mais ordenado. Mais dinheiro ao fim do mês não significa ganhar mais dinheiro. Mais qualidade de vida é chegar ao fim do mês alegre, contente e com mais dinheiro mesmo ganhando o mesmo porque se criaram condições para isso. Se ganhamos um pouquito mais mas aumentam as despesas individuais, no final ganhamos menos.

 

 

Espero que um dia olhem para as pequenas coisas e as tornem grandes, porque são elas que efectivamente nos dão mais qualidade de vida complementando as grandes medidas.


publicado por Pedro Santos às 14:02
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