Segunda-feira, 15 de Agosto de 2011

Uma análise à crise portuguesa

Esta análise é isso mesmo, uma análise desprovida de sentimento ou filiação.

Quando o nosso ex primeiro ministro decidiu fazer um braço de ferro de modo a tentar evitar a entrada do FMI em Portugal pareceu-me de imediato uma estratégia mais que uma birra pessoal.

Ele sabia que havia mais países à beira de cairem na mesma situação, e mais poderosos que nós, e se fossemos em pacote talvez não fizessem o que nos fizeram.

Desde logo isto  (parece) é verdade porque estava agendada uma mudança na forma como os países recorreriam ao fundo de resgate sem a necessária intervenção profunda do FMI.

Mas pareceu-me que dois vectores (utilizando uma palavra cara a este ministro das finanças) estavam a fazer pender a balança contra nós: a vontade da direita entrar a todo custo no governo porque o actual PM não teria outra oportunidade, especialmente se Sócrates sobrevivesse, e a vontade da direita europeia de privatizar a europa ao serviço dos patrões e da especulação.

Assim, quando Portugal esperava que a votação acontecesse para mudar as regras de acesso, o governo caiu pela mão do PSD e a votação foi adiada, deixando Portugal na necessidade extrema de apoio externo.

Mas este apoio externo só foi necessário porque durante 6 meses a Europa nos deixou desprotegidos com os juros a crescerem de forma pornográfica. Se não fosse isso, a divida pública não teria crescido da forma que cresceu, a crise profunda não seria tão profunda, e agora estavamos no mesmo pacote da Itália, Espanha e França, protegidos pelas decisões que os protegessem.

Então eu faço aqui a minha previsão que a história confirmará (que não deixa de ser uma arte de adivinhação): se não fosse a família da direita europeia, no interesse do capitalizar de lucros de especuladores e de maximizar a influência das empresas e dos magnatas nas decisões dos países sem serem eleitos, prejudicando os países mais frágeis da UE usurpando os seus recursos naturais, humanos e financeiros, porque estes empréstimos mais não são para pagar juros e no fim ficamos na mesma; o PSD será visto como o principal culpado do estado em que estamos porque mesmo com toda a pompa e pose de estado que PPC procura meter, os seus olhos não mentem pela inexpressividade que têm pois os olhos não seguem as linhas do rosto, no fim vamos continuar ainda pior, com uma divida maior e ainda com menos recursos ou instrumentos de regulação que nos poderiam ajudar a sair da crise porque entretanto tudo foi privatizado em prol dos "amigos".

Primeiro exemplo: BPN ao BIC. Nós pagámos para vender o banco. Só os imóveis do banco valem decerto bem mais que os 40 milhões, diga o presidente executivo português o que quiser. Se eu fizesse um negócio da China não viria apregoar que tinha conseguido isso à custa dos portugueses, viria isso sim fazer o que fez, dizer que é um favor que nos estão a fazer, que são grandes patriotas tirando das mãos do estado aquele sorvedor de dinheiro, e que vai dar muito trabalho recuperar o banco. O banco está recuperado, atentem no que vos digo, e deve dar um trabalho brutal fechar agências, que devem ir ser vendidas e com muito lucro, e despedir trabalhadores que irão ser pagos pelo estado.

Assim é fácil.


publicado por Pedro Santos às 12:59
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