Domingo, 15 de Outubro de 2006

Resposta na quadratura do circulo a um outro post

Li, e uma vez mais fico de alguma forma perplexo. Há outras profissões que advogam aquilo que escreveu, e chegou-se à conclusão que se "forçava" o trabalhador a trabalhar horas extraordinárias não remuneradas pelo simples facto de só assim se conseguir manter o trabalho ou progredir dentro da empresa. Foi legislado que teriam de ser registadas as horas que o trabalhador fazia na empresa e multas para as que não cumprissem. Não se pode dizer que um trabalhador é melhor ou pior porque dá para além daquilo que lhe é devido, não num sistema público que deve pugnar pela justiça e igualdade. Não interprete nem procure já uma janela para se autojustificar , pois aquilo que lhe coloco é o seguinte: estive colocado longe de casa, sem a família por perto, logo dei muitas horas à escola porque podia. Outros não o faziam pois tinham mulher e filhos aos quais se deve dar atenção. Serei eu melhor do que eles? Não, sou fruto das circunstâncias. Em relação às pausas lectivas, diz só meia verdade, isto é, deveriam os professores estar nas escolas, até concordo, com alunos, não, taxativamente. E explico: os professores também precisam de momentos de reflexão, não são só os alunos. Os professores precisam de momentos de auto-avaliação específicos, sem ser aqueles do dia-a-dia. Os professores deveriam reunir e debater, tipo "congresso", aquilo que aconteceu na escola e na comunidade naquele período lectivo ou ano escolar consoante se trate de pausas intercalares ou finais. Mas daí a achar que deveria ser a tomar conta das crianças, ou não percebe o que é ser professor, ou não quer perceber. A actividade docente é muito mais difícil do que parece. Quantos pais já se demitiram da sua função de educadores colocando os filhos nas creches e jardins de infância mesmo nas folgas e férias? Conheço "alguns", e eles só têm 1 ou dois para criar. Agora imagine ter 25 como esses, mas sem a autoridade que os pais têm.
Agora as progressões na carreira. Caro Senhor, se a intenção é privatizar a educação, esses critérios devem passar a estar em cima da mesa, mas para todos e em todas as situações. Sabe que nas empresas, mesmo quem sobe pode descer, e quem promove pode ser "despromovido", se me consigo fazer entender. Já escrevi, e por isso volto a escrever, se estiverem bem definidas as "penalizações" para quem fizer más promoções, ou fazer más avaliações que impliquem a não subida de escalão, concordo consigo. De outro modo, acho que estamos a caminhar para o factor C, e para quem lamber mais botas. É tornar os elementos despojados de ideias e de carácter próprio. É levar ao conformismo e à robotização dos docentes. Se concordo, progrido, se não concordo, regrido. No sector privado, onde certas regras não se aplicam na totalidade... agora no sector onde a transparência, igualdade, justiça, e até símbolo de aplicação da verdade devia ser um ícone, não me parece o melhor caminho.
Para terminar, faço um reparo: ou é professor que trabalhou com alguns colegas menos bons que o desiludiram e prejudicaram, ou não é professor, mas as suas ideias só irão prejudicar os bons em detrimento dos menos bons, pois, se ainda não reparou, estamos em Portugal, país dos empregados sem controlo (vide alguns funcionários públicos que não se sabe quem são), país dos mil e um motoristas e assessores, país de secretárias e equipas mais ou menos inúteis, país de estudos e dossiers, país de obras em derrapagem orçamental desde o início, país onde se procura esconder a verdade sob a capa da culpa dos professores. A pobreza em Portugal não existe pelo dinheiro gasto nos professores, a pobreza em Portugal existe pelo facto de consumirmos demagogias baratas que, arranjado o bode expiatório tudo está resolvido. Cá estaremos quando Portugal acordar e ver que afinal continuamos pobres apesar daquilo que fizeram aos professores e alunos, conduzindo-os ao facilitismo e à incúria. Os alunos portugueses vão continuar a divergir dos alunos europeus, em especial os que vêm do Leste. Acha que eles vêm mais bem preparados porque a sua vida foi só facilidades, ou devido a uma cultura de exigência e disciplina, porventura, algumas vezes, exagerada?

publicado por Pedro Santos às 14:53
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