Terça-feira, 18 de Setembro de 2007

Criar a ESCOLA onde ela é considerada OBSOLETA

"Colegas professores

 

É com um misto de pesar e alegria que vos escrevo estas linhas.

 

A escola da minha terra fechou. Os meninos vão ser deslocados e desenraizados do seu meio familiar próximo, perdendo o contacto com as suas origens locais que até agora os moldaram.

 

Há uns dias que tenho um SONHO... um sonho onde todos nos mantemos unidos com o CHEIRO DA TERRA que nos viu nascer, com os vizinhos que nos diziam BOM DIA quando passávamos, com as ruas por onde CALCORREÁVAMOS FELIZES, enfim, com aquilo que ÉRAMOS e SOMOS.

 

Qual é o meu SONHO?

 

Ao mesmo tempo que somos PROFESSORES somos PAIS... então assumamos o nosso bivalente papel. Dirijamo-nos às juntas de freguesia, falemos com os dirigentes políticos locais (que normalmente são mais ligados À TERRA e ÀS GENTES) e PAIS dos FILHOS DA TERRA (não associações de pais) e proponham manter abertas as escolas com menos de 20 ALUNOS.

 

COMO?

 

As crianças são uma mais valia para uma localidade, e quanto mais pequena mais importantes são, pois sem elas, o seu futuro está condenado a desaparecer. Por aí, acredito que a junta estaría disposta a suportar parte do salário do professor. Os pais também acreditam na ligação às suas origens, e por esse prisma também estaríam dispostos a contribuir para o salário do professor.

 

Com todas estas premissas reunidas, acredito que o sistema não teria capacidade de se opor à inciativa cívil.

 

Colegas, pode parecer radical e ir de encontro às vontades de autonomia deste Ministério da Educação, mas a solução é essas mesmas escolas fecharem, concentração de alunos em barracões gigantes sem identidade pessoal e social, desenraizamento dos meninos e meninas das suas origens, e desertificação das pequenas localidades e regiões do interior.

 

Por outro lado, manter-se-ía a dignidade dos professores pois acredito que as pessoas podem ser boas, e serem capazes de reconhecer o valor do nosso trabalho, e numa reunião de esforços, pagarem a devida compensação pelos serviços prestados à comunidade (e não os 400 a 500 euros que nos querem impingir na transição para as autarquias, pois não está em cima da mesa nenhum valor mínimo a não ser o do salário mínimo nacional!)."

 

Carta aberta dirigida a todos quantos versem sobre este assunto, não como algo fechado em si mesmo, mas como algo aberto a discussão, ponderação e reformulação.

 


publicado por Pedro Santos às 10:28
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1 comentário:
De ESR - Amarante a 23 de Setembro de 2007 às 09:14
As razões que apresenta para o não encerramento das escolas com menos de 20 alunos são plausíveis e fundamentadas no ponto de vista de nós, professores, e de alguns pais. Digo alguns, porque há muitos que não se importam que os filhos saiam de casa às 7.30h da manhã e só cheguem às 19h da tarde. Acredite, e sei que acredita, que para muitos pais a escola é um mero "depósito" das crianças e que tem de os aguentar até ao final do horário do expediente. Infelizmente, conheço alguns casos, nomeadamente no Jardim de Infância do meu filho, em que um dos pais não trabalha, está em casa (ou pela rua) e deixa estar os filhos ( dois) no horário do prolongamento, quando vive dois andares acima do Jardim. Deixar uma criança tantas horas fechada, enclausurada dentro de uma sala, para nós é um absurdo, mas para esses pais não é. Além deste aspecto existe outro: conhece algum pai que estivesse interessado a contribuir para o salário do professor? Os próprios pais são os primeiros a dizer que os professores têm horários regalados. muitos dias de férias e ganham muito bem. Quem está fora do nosso sistema não tem esta visão que o colega apresenta. Nós, professores somos vistos, por uma boa parte da sociedade como os "coitados" que muito têm e estão sempre a queixar-se.


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