Terça-feira, 9 de Outubro de 2007

O Ensino centrado no aluno

A partir de outro post colocado noutro blog (averomundo-jcm.blogspot.com), despertei para escrever  sobre aquilo que já sentia, e até já tinha comentado com outros professores.

 

O ensino deve ser centrado no aluno? O ensino deve ser centrado no professor? Ou o ensino deve ter um eixo central, centrado no aluno e no professor?

 

Muito se tem dito que sem alunos não há escola e professores, mas se não houver professores não há, igualmente, escola e alunos (e se não houver escola, independentemente do conceito que quisermos ter de escola, não há alunos nem professores!).

 

Ora, a partir destes três conceitos, Escola, Professores e Alunos, todos interligados e interdependentes, deve-se construir o saber. Sobrepor o poder de uns ao jugo dos outros, é aniquilar aquilo para que serve a Escola nas suas múltiplas facetas: socialização, ensino e aprendizagem.

 

Mas socializar, ensinar e aprender não é educar. Educar é algo muito mais vasto e amplo, envolve outras variáveis como a família, a comunidade e a sociedade (onde se inclui o poder politico local e nacional).

 

Se se centra o ensino no aluno, este (através das suas famílias) exigirá tratamento de excepção diferenciado do dos restantes colegas, e estes só existem conquanto sirvam os seus interesses. Mas viver em comunidade e sociedade é partilhar, adaptar-se e abdicar, mesmo que momentaneamente, daquilo que considerar o melhor para si se isso implicar o pior para os outros.

 

Como explicar a um menino que trabalha, que se esforça por concluir as suas tarefas, que respeita os outros e o material, que o seu colega, porque a sua família assim o entende, não deve ver aplicadas medidas correctivas de comportamento quando não trabalha, não se esforça e não respeita os outros e o material?

 

Como explicar a um menino que produz trabalho, com atenção e dedicação, obter as mesmas recompensas que o seu colega que passou o primeiro período da manhã a brincar, a conversar e a distrair?

 

Como explicar a um menino que não pode obter as recompensas do outro (ler uma BD , jogar um jogo, desenhar ou até fazer nada, se assim o entender) porque nada fez se os Pais e Encarregados de Educação dizem que eles não devem ser "discriminados" dessa forma?

 

Como compreenderá esse menino estas medidas se em casa não cumpre as regras mas mesmo assim joga Playstation , vê televisão, vai à piscina, ao parque e ao cinema?

 

Se em casa não lhe é exigido exigência e excelência, como poderá um professor (uma figura de autoridade, mas que não é o ídolo que representa o seu pai ou a sua mãe) fazer diferente do pouco (ou nada!) que os seus pais lhe exigem?

 

Mas no fim, se o menino ou menina não aprendem, a culpa é do professor, hoje o elo mais fraco, à luz do que acontece com os treinadores de futebol, muito poucas vezes bestial mas muitas vezes besta!

 

Aprender o saber saber e o saber estar implica esforço, e como tudo tende para o mínimo dispêndio de energia, se não for necessário esforçar-me, para quê fazê-lo? E que efeito terá sobre aqueles que se esforçam? Acredito, que terá um "efeito borboleta", isto é, quem vê nada fazer irá imitar, mesmo que em menor escala, acredito, esses comportamentos de laxismo e de nada fazer. Tudo é mais fácil quando nada fazemos e tudo temos...

 

Ora, é aqui que entra a minha dicotomia axial central. O ensino centrado no aluno só tem sentido se este se aplicar convenientemente. Caso esta premissa não se verifique, o ensino deverá recentrar-se no professor, que será o fiel depositário dos valores que queremos ver crescer nos nossos infantes, juvenis e jovens adultos.

 

Mas aquilo a que se assiste é o ensino totalmente centrado no aluno, mesmo que este demonstre uma clara falta de valores associados àquilo que se pretende desenvolver.

 

O poder desmesurado que se deu aos Pais e Associações de Pais, desequilibrando os pratos da balança do ensino, onde hoje o papel do professor é secundarizado em função das opiniões (nada são mais que isso, pois a maior parte não são professores, e por vezes, os piores críticos dos professores são alguns da própria classe que não admitem aos seus alunos mas querem que seja admitido aos seus educandos!) de pais, encarregados de educação e teóricos da educação.

 

Não entendam que seja contra a participação na escola de Pais e Encarregados de Educação, mas na justa proporção da sua esfera de intervenção, ou seja, enquanto colaboradores e propositivos mas nunca como impositores; parceiros mas não patrões; com boa vontade mas limitados nesta área (ensino).


publicado por Pedro Santos às 15:54
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