Quinta-feira, 14 de Setembro de 2006

Carta aberta

Caros professores, pais e alunos, e todos os outros que achem que estas linhas lhes digam respeito.

Escrevo como se uma carta de despedida fosse, pois acredito que a educação em Portugal resvala a passos largos para o abismo.

Em Inglaterra há um regresso ao passado, com a condenação "criminal" dos grafitis, com o regresso do "tabefe" e do "açoite". Olho para eles e acho que, pelo seu peso histórico, pela sua experiência, pelas suas instituições seculares de ensino, alguma coisa sobre como educar os jovens devem saber.

Já no livro "As viagens na minha terra" se ironizava sobre " o que é que esses ingleses sabem, nós cá é que sabemos...", e vemos onde isso nos levou, eles na frente e nós atrás... em tudo.

Como sempre estamos atrasados várias décadas. Os jovens fazem aquilo que lhes é permitido fazer, quanto mais liberdade menos sabem o que fazer com ela. A liberdade só faz sentido se soubermos onde acaba, a liberdade só faz sentido com responsabilidade, a responsabilidade constrói-se na justa medida da liberdade. A liberdade pressupõe hierarquias que se devem respeitar, contestando mas respeitando a opinião dos que nos estão acima. Quantos de nós contestámos para depois vermos que somos a imagem da própria contestação. É assim que se constrói o carácter, na divergência de opiniões, na integração de diferentes pontos de vista que por vezes somos obrigados a aceitar, para depois, quando adultos conscientes, activos e participativos numa sociedade justa e democrática, os implementamos, modificamos ou colocamos, pura e simplesmente, de lado.

O seu a seu dono. Aos pais a sua posição de dinamizadores de princípios morais e de respeito pelos outros numa primeira fase, aos professores o continuar das medidas dinamizadas pelos pais em casa, trabalhando em equipa com eles, e aos alunos o seu dever de respeitar os símbolos de autoridade e aprender as regras da vida em sociedade.

Mas que fazer quando os pais não estão com os seus filhos o tempo suficiente?

Mas o que fazer quando o professor se depara com comportamentos inapropriados?

Mas o que fazer quando o aluno não sabe o que são comportamentos inapropriados?

Mas o que fazer quando os pais não dessensibilizam os comportamentos inapropriados?

O cerne de toda a problemática da educação, para mim, gira à volta destas perguntas, e da sua resolução. É um ciclo que se repete interminavelmente até que alguêm tenha a coragem de dizer basta, e esse alguêm são os pais. Senão vejamos:

Os pais, por motivos profissionais, estão muito pouco tempo com os filhos. Para os compensar, não conseguem dizer não. Os meninos fazem birra, possuem mil e uma actividades extra-curriculares, deitam-se tarde,etc, etc...

Os meninos crescem numa redoma onde lhes passa a imagem de que tudo gira à sua volta, e de que todas as suas vontades têm de ser satisfeitas. Quando chegam à escola, perante situações de confronto com o professor, entendem que se confrontam a figura de autoridade máxima e não obtêm castigo à altura, muito menos um professor lho vai dar.

Se o professor toma medidas mais drásticas com esse aluno, mesmo que já tenha tentado muitas outras estratégias, vêm os "entendidos" dizer que ainda haveriam de haver mais algumas. O menino fica traumatizado pois aquilo que fez não é mais do que aquilo que faz em casa sem castigo, logo faz queixa ao EE.

O EE, em virtude de não estar presente na vida do filho, para reforçar a sua imagem romântica do herói aos olhos do filho, assume a imagem de "O quê? Ele fez isso? Aquele (algumas palavras menos próprias) sabe lá o que é dar aulas? Eu vou lá!

Os pais devem ser os primeiros a avaliarem-se a si próprios, a permitirem ser avaliados pelos professores, e a serem obrigados a frequentar acções de como ser pais e que atitude ter perante a escola. Após este caminho percorrido, muita coisa poderia mudar na escola... ou talvez não...


publicado por Pedro Santos às 12:09
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